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Neste dia, em 1517, o monge agostiniano Martinho Lutero pregou uma proposta de reforma nas portas da igreja de Wittenberg, debatendo a doutrina e prática de indulgências. Esta proposta é popularmente conhecida como as
95 teses, que foram pregadas na porta da Igreja do Castelo (
Schlosskirche).
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A princípio não foi um ato de provocação ou desafio. A Igreja do Castelo estava na rua principal de Wittenberg, e a porta da igreja funcionava como um quadro de avisos públicos e, portanto, o lugar lógico para colocar as notícias importantes. Além disso, estas teses foram escritas em latim, a língua da Igreja, e não em seu vernáculo alemão. No entanto, o caso gerou uma dura controvérsia entre Lutero e os aliados do Papa sobre uma variedade de doutrinas e práticas. Quando Lutero e seus seguidores forma
excomungados em 1520, nasceu a
tradição luterana.
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Para a igreja Luterana, o Dia da Reforma é um feriado menor e é oficialmente definido como o Festival da Reforma. Até o século XX as igrejas luteranas celebravam o Dia da Reforma em 31 de outubro, não importasse o dia da semana. Hoje a maioria das igrejas protestantes muda sua celebração para que caia no domingo, e às vezes deslocam a data para ser celebrada no
dia de Todos os Santos, em 1º de novembro, preservando assim muito das tradições católicas. A exceção neste sentido são os
sabatistas, que costumam celebrar a data rigorosamente no dia 31, ou deslocar as celebrações para o sábado.
A cor litúrgica do dia é o vermelho, que representa o Espírito Santo e os mártires da Igreja Cristã. O Hino de Lutero,
Ein feste Burg ist unser Gott (na versão em português, "Castelo Forte é Nosso Deus"), é tradicionalmente cantado neste dia. Todos permanecem de pé durante o hino, em memória ao seu uso nas guerras religiosas do século XVI. Há também a tradição que alguns alunos de igrejas protestantes representarem cenas da vida de Lutero.
O resultado da Reforma Protestante foi a divisão da chamada
Igreja do Ocidente entre os
católicos romanos e os
reformados ou
protestantes, originando o
Protestantismo e o início de massacres e perseguições por parte da Igreja Católica Romana como por exemplo a noite de
Massacre da noite de São Bartolomeu.
A Pré-Reforma foi o período anterior à Reforma Protestante no qual se iniciaram as bases ideológicas que posteriormente resultaram na reforma iniciada por
Martinho Lutero.
A Pré-Reforma tem suas origens em uma
denominação cristã do século XII conhecida como
Valdenses, que era formada pelos seguidores de
Pedro Valdo, um comerciante de Lyon que se converteu ao
Cristianismo por volta de
1174. Ele decidiu encomendar uma tradução da
Bíblia para a linguagem popular e começou a pregá-la ao povo sem ser sacerdote. Ao mesmo tempo, renunciou à sua atividade e aos bens, que repartiu entre os pobres. Desde o início, os valdenses afirmavam o direito de cada fiel de ter a
Bíblia em sua própria língua, considerando ser a fonte de toda autoridade eclesiástica. Eles reuniam-se em casas de famílias ou mesmo em grutas, clandestinamente, devido à perseguição da
Igreja Católica Romana, já que negavam a supremacia de
Roma e rejeitavam o culto às imagens, que consideravam como sendo
idolatria.
4
No seguimento do colapso de instituições monásticas e da
escolástica nos finais da
Idade Média na Europa, acentuado pelo
Cativeiro Babilônico da igreja no
papado de Avinhão, o
Grande Cisma e o fracasso da conciliação, se viu no século XVI o fermentar de um enorme debate sobre a reforma da religião e dos posteriores valores religiosos fundamentais.
No século XIV, o inglês
John Wycliffe,
5 considerado como precursor da Reforma Protestante, levantou diversas questões sobre controvérsias que envolviam o
Cristianismo, mais precisamente a
Igreja Católica Romana. Entre outras idéias, Wycliffe queria o retorno da Igreja à primitiva pobreza dos tempos dos
evangelistas, algo que, na sua visão, era incompatível com o poder político do papa e dos cardeais, e que o poder da Igreja devia ser limitado às questões espirituais, sendo o poder político exercido pelo Estado, representado pelo rei. Contrário à rígida hierarquia eclesiástica, Wycliffe defendia a pobreza dos padres e os organizou em grupos. Estes padres foram conhecidos como "
lolardos". Mais tarde, surgiu outra figura importante deste período:
Jan Huss. Este pensador tcheco iniciou um movimento religioso baseado nas ideias de
John Wycliffe. Seus seguidores ficaram conhecidos como
Hussitas.
6
- os conflitos políticos entre autoridades da Igreja Romana e governantes das monarquias européias, tais governantes desejavam para si o poder espiritual e ideológico da Igreja e do Papa,10 11 muitas vezes para assegurar o direito divino dos reis;
- Práticas como a usura eram condenadas pela ética católica romana, assim a burguesia capitalista que desejava altos lucros econômicos sentiria-se mais "confortável" se pudesse seguir uma nova ética religiosa, adequada ao espírito capitalista, necessidade que foi atendida pela ética protestante e conceito de Lutero de que a fé sem as obras justifica (Sola fide);11 10 12 13 14 15
- Algumas causas econômicas para a aceitação da Reforma foram o desejo da nobreza e dos príncipes de se apossar das riquezas da igreja romana e de ver-se livre da tributação papal que, apesar de defender a simplicidade, era a instituição mais rica do mundo.16 Também na Alemanha, a pequena nobreza estava ameaçada de extinção em vista do colapso da economia senhorial. Muitos desses pequenos nobres desejavam as terras da igreja. Somente com a Reforma, estas classes puderam expropriar as terras;17 18 19
- Durante a Reforma na Alemanha, autoridades de várias regiões do Sacro Império Romano-Germânico pressionadas pela população e pelos luteranos, expulsavam e mesmo assassinavam sacerdotes católicos das igrejas,20 substituindo-os por religiosos com formação luterana;21
- Lutero era radicalmente contra a revolta camponesa iniciada em 1524 pelos anabatistas liderados por Thomas Münzer,21 que provocou a Guerra dos Camponeses. Münzer comandou massas camponesas contra a nobreza imperial, pois propunha uma sociedade sem diferenças entre ricos e pobres e sem propriedade privada,21 Lutero por sua vez defendia que a existência de "senhores e servos" era vontade divina,21 motivo pelo qual eles romperam.16Lutero escreveu posteriormente: "Contras as hordas de camponeses (...), quem puder que bata, mate ou fira, secreta ou abertamente, relembrando que não há nada mais peçonhento, prejudicial e demoníaco que um rebelde".21
Essas teses condenavam a "avareza e o paganismo" na Igreja, e pediam um debate teológico sobre o que as
indulgências significavam. As
95 Teses foram logo traduzidas para o alemão e amplamente copiadas e impressas. Após um mês se haviam espalhado por toda a
Europa.
24
Após diversos acontecimentos, em junho de
1518 foi aberto um processo por parte da Igreja Romana contra Lutero, a partir da publicação das suas
95 Teses. Alegava-se, com o exame do processo, que ele incorria em
heresia. Depois disso, em agosto de 1518, o processo foi alterado para heresia notória.
25 Finalmente, em junho de
1520 reapareceu a ameaça no escrito "Exsurge Domini" e, em janeiro de
1521, a bula "Decet Romanum Pontificem"
excomungou Lutero. Devido a esses acontecimentos, Lutero foi exilado no
Castelo de Wartburg, em
Eisenach, onde permaneceu por cerca de um ano. Durante esse período de retiro forçado, Lutero trabalhou na sua tradução da
Bíblia para o alemão, da qual foi impresso o
Novo Testamento, em setembro de
1522.
26

Extensão da Reforma Protestante na Europa.
Enquanto isso, em meio ao clero saxônio, aconteceram renúncias ao voto de castidade, ao mesmo tempo em que outros tantos atacavam os votos monásticos. Entre outras coisas, muitos realizaram a troca das formas de adoração e terminaram com as missas, assim como a eliminação das imagens nas igrejas e a ab-rogação do celibato. Ao mesmo tempo em que Lutero escrevia
"a todos os cristãos para que se resguardem da insurreição e rebelião". Seu casamento com a ex-freira
cistercienseCatarina von Bora incentivou o casamento de outros padres e freiras que haviam adotado a Reforma. Com estes e outros atos consumou-se o rompimento definitivo com a Igreja Romana.
27 Em janeiro de
1521 foi realizada a
Dieta de Worms, que teve um papel importante na Reforma, pois nela Lutero foi convocado para desmentir as suas teses, no entanto ele defendeu-as e pediu a reforma.
28 Autoridades de várias regiões do
Sacro Império Romano-Germânico pressionadas pela população e pelos luteranos, expulsavam e mesmo assassinavam sacerdotes católicos das igrejas,
20 substituindo-os por religiosos com formação luterana.
21
Toda essa rebelião ideológica resultou também em rebeliões armadas, com destaque para a
Guerra dos camponeses(
1524-
1525). Esta guerra foi, de muitas maneiras, uma resposta aos discursos de Lutero e de outros reformadores. Revoltas de camponeses já tinham existido em pequena escala em
Flandres (
1321-
1323), na
França (
1358), na
Inglaterra(
1381-
1388), durante as
guerras hussitas do
século XV, e muitas outras até o
século XVIII. A revolta foi incitada principalmente pelo seguidor de Lutero,
Thomas Münzer,
21 que comandou massas camponesas contra a nobreza imperial, pois propunha uma sociedade sem diferenças entre ricos e pobres e sem propriedade privada,
21 Lutero por sua vez defendia que a existência de
"senhores e servos" era vontade divina,
21 motivo pelo qual eles romperam,
29 sendo que Lutero condenou Münzer e essa revolta.
30
Em
1530 foi apresentada na Dieta imperial convocada pelo Imperador
Carlos V, realizada em abril desse ano, a
Confissão de Augsburgo, escrita por
Felipe Melanchton 31 com o apoio da
Liga de Esmalcalda. Os representantes católicos na Dieta resolveram preparar uma refutação ao documento luterano em agosto, a
Confutatio Pontificia (Confutação), que foi lida na Dieta. O Imperador exigiu que os luteranos admitissem que sua Confissão havia sido refutada. A reação luterana surgiu na forma da
Apologia da Confissão de Augsburgo, que estava pronta para ser apresentada em setembro do mesmo ano, mas foi rejeitada pelo Imperador. A
Apologia foi publicada por Felipe Melanchton no fim de maio de
1531, tornando-se confissão de fé oficial quando foi assinada, juntamente com a
Confissão de Augsburgo, em Esmalcalda, em 1537.
32
Ao mesmo tempo em que ocorria uma reforma em um sentido determinado, alguns grupos protestantes realizaram a chamada
Reforma Radical. Queriam uma reforma mais profunda. Foram parte importante dessa reforma radical os
Anabatistas, cujas principais características eram a defesa da total separação entre igreja e estado e o "novo batismo"
33 (que em
grego é
anabaptizo).
34
João Calvino foi inicialmente um
humanista. Foi integrante do clero, todavia não chegou a ser ordenado sacerdote romano. Depois do seu afastamento da Igreja romana, este intelectual começou a ser visto como um representante importante do movimento protestante.
36 Vítima das perseguições aos
huguenotes na França, fugiu para
Genebra em
1533 37 onde faleceu em
1564.
Genebra tornou-se um centro do protestantismo europeu e João Calvino permanece desde então como uma figura central da história da cidade e da Suíça. Calvino publicou as
Institutas da Religião Cristã,
38 que são uma importante referência para o sistema de doutrinas adotado pelas
Igrejas Reformadas.
39
Os problemas com os huguenotes somente concluíram quando o Rei
Henry IV, um ex-huguenote, emitiu o
Édito de Nantes, declarando tolerância religiosa e prometendo um reconhecimento oficial da minoria protestante, mas sob condições muito restritas. O catolicismo romano se manteve como religião oficial estatal e as fortunas dos protestantes franceses diminuíram gradualmente ao longo do próximo século, culminando na Louis XIV do
Édito de Fontainebleau, que revogou o Édito de Nantes e fez de Roma a única Igreja legal na França. Em resposta ao Édito de Fontainebleau, Frederick William de
Brandemburgo declarou o Édito de Potsdam, dando passagem livre para franceses huguenotes refugiados e status de isenção de impostos a eles durante 10 anos.
Ulrico Zuínglio foi o líder da reforma suíça e fundador das igrejas reformadas suíças. Zuínglio não deixou igrejas organizadas, mas as suas doutrinas influenciaram as confissões calvinistas. A reforma de Zuínglio foi apoiada pelo magistrado e pela população de
Zurique, levando a mudanças significativas na vida civil e em assuntos de estado em Zurique.
40
O curso da Reforma foi diferente na
Inglaterra. Desde muito tempo atrás havia uma forte corrente anticlerical, tendo a Inglaterra já visto o movimento
Lollardo, que inspirou os
Hussitas na
Boémia. No entanto, ao redor de
1520 os
lollardos já não eram uma força ativa, ou pelo menos um movimento de massas.
Embora
Henrique VIII tivesse defendido a
Igreja Romana com o livro
Assertio Septem Sacramentorum (
Defesa dos Sete Sacramentos), que contrapunha as 95 Teses de Martinho Lutero, Henrique promoveu a Reforma Inglesa para satisfazer as suas necessidades políticas. Sendo este casado com
Catarina de Aragão, que não lhe havia dado filho homem, Henrique solicitou ao Papa
Clemente VII a anulação do casamento.
41 Perante a recusa do
Papado, Henrique fez-se proclamar, em
1531, protetor da Igreja inglesa. O
Ato de Supremacia, votado no Parlamento em novembro de
1534, colocou Henrique e os seus sucessores na liderança da igreja, nascendo assim o
Anglicanismo. Os súditos deveriam submeter-se ou então seriam excomungados, perseguidos
42 e executados, tribunais religiosos foram instaurados e católicos foram obrigados à assistir cultos protestantes,
43 muitos importantes opositores foram mortos, tais como
Thomas More, o Bispo
John Fischer e alguns
sacerdotes, frades franciscanos e
monges cartuxos. Quando Henrique foi sucedido pelo seu filho
Eduardo VI em
1547, os protestantes viram-se em ascensão no governo. Uma reforma mais radical foi imposta diferenciando o anglicanismo ainda mais do catolicismo romano.
44
Seguiu-se uma breve reação
romana durante o reinado de
Maria I (
1553-
1558). De início moderada na sua política religiosa, Maria procura a reconciliação com
Roma, consagrada em
1554, quando o
Parlamento votou o regresso à obediência ao Papa.
41 Um consenso começou a surgir durante o reinado de
Elizabeth I. Em
1559, Elizabeth I retornou ao anglicanismo com o restabelecimento do
Ato de Supremacia e do
Livro de Orações de
Eduardo VI. Através da
Confissão dos Trinta e Nove Artigos (1563), Elizabeth alcançou um compromisso entre o
protestantismo e o catolicismo romano: embora o dogma se aproximasse do
calvinismo, só admitindo como sacramentos o
Batismo e a
Eucaristia, foi mantida a hierarquia episcopal e o fausto das cerimônias religiosas.
A Reforma na
Inglaterra procurou preservar o máximo da Tradição Romana (episcopado, liturgia e sacramentos). A Igreja da Inglaterra sempre se viu como a
ecclesia anglicanae, ou seja,
A Igreja cristã na Inglaterra e não como uma derivação da Igreja de
Roma ou do movimento reformista do
século XVI. A Reforma Anglicana buscou ser a "via média" entre Roma e o protestantismo.
45
Em
1561 apareceu uma confissão de fé com uma Exortação à Reforma da Igreja modificando seu sistema de liderança, pelo qual nenhuma igreja deveria exercer qualquer autoridade ou governo sobre outras, e ninguém deveria exercer autoridade na Igreja se isso não lhe fosse conferido por meio de eleição. Esse sistema, considerado "separatista" pela Igreja Anglicana, ficou conhecido como
Congregacionalismo.
46 Richard Fytz é considerado o primeiro pastor de uma igreja
congregacional, entre os anos de 1567 e 1568, na cidade de
Londres. Por volta de
1570 ele publicou um manifesto intitulado
As Verdadeiras Marcas da Igreja de Cristo.
47 Em 1580
Robert Browne, um clérigo
anglicano que se tornou separatista, junto com o leigo Robert Harrison, organizou em
Norwich uma congregação cujo sistema era congregacionalista,
48 sendo um claro exemplo de igreja desse sistema.
A Reforma nos
Países Baixos, ao contrário de alguns outros países, não foi iniciado pelos governantes das Dezessete Províncias, mas sim por vários movimentos populares que, por sua vez, foram reforçados com a chegada dos protestantes refugiados de outras partes do continente. Enquanto o movimento
Anabatista gozava de popularidade na região nas primeiras décadas da Reforma, o calvinismo, através da Igreja Reformada Holandesa, tornou a fé protestante dominante no país desde a década de
1560 em diante. No início de agosto de
1566, uma multidão de protestantes invadiu a Igreja de Hondschoote na Flandres (atualmente Norte da
França) com a finalidade de destruir as imagens católicas,
50 51 52 esse incidente provocou outros semelhantes nas províncias do norte e sul, até Beeldenstorm, em que calvinistas invadiram igrejas e outros edifícios católicos para destruir estátuas e imagens de santos em toda a
Holanda, pois de acordo com os calvinistas, estas estátuas representavam culto de ídolos. Duras perseguições aos protestantes pelo governo espanhol de
Felipe IIcontribuíram para um desejo de independência nas províncias, o que levou à
Guerra dos Oitenta Anos e eventualmente, a separação da zona protestante (atual
Holanda, ao norte) da zona católica (atual
Bélgica, ao sul).
49
Teve grande importância durante a Reforma um teólogo holandês:
Erasmo de Roterdã. No auge de sua fama literária, foi inevitavelmente chamado a tomar partido nas discussões sobre a Reforma. Inicialmente, Erasmo se simpatizou com os principais pontos da crítica de Lutero, descrevendo-o como "uma poderosa trombeta da verdade do evangelho" e admitindo que, "É claro que muitas das reformas que Lutero pede são urgentemente necessárias.".
53 Lutero e Erasmo demonstraram admiração mútua, porém Erasmo hesitou em apoiar Lutero devido a seu medo de mudanças na doutrina. Em seu Catecismo (intitulado
Explicação do Credo Apostólico, de 1533), Erasmo tomou uma posição contrária a Lutero por aceitar o ensinamento da "Sagrada Tradição" não escrita como válida fonte de inspiração além da Bíblia, por aceitar no cânon
bíblico os
livros deuterocanônicos e por reconhecer os sete sacramentos.
54 Estas e outras discordâncias, como por exemplo, o tema do
Livre arbítrio fizeram com que Lutero e Erasmo se tornassem opositores.
Na
Dinamarca, a difusão das idéias de
Lutero deveu-se a
Hans Tausen. Em
1536 55 na Dieta de
Copenhaga, o rei Cristiano III aboliu a autoridade dos bispos católicos, tendo sido confiscados os bens das igrejas e dos mosteiros. O rei atribuiu a Johann Bugenhagen, discípulo de
Lutero, a responsabilidade de organizar uma
Igreja Luterana nacional.
56 A Reforma na
Noruega e na
Islândia foi uma conseqüência da dominação da
Dinamarcasobre estes territórios; assim, logo em
1537 ela foi introduzida na
Noruega e entre
1541 e
1550 55 na
Islândia, tendo assumido neste último território características violentas.
Na
Suécia, o movimento reformista foi liderado pelos irmãos Olaus Petri e Laurentius Petri. Teve o apoio do rei
Gustavo I Vasa,
57 que rompeu com
Roma em
1525, na Dieta de Vasteras. O
luteranismo, então, penetrou neste país estabelecendo-se em
1527.
55 Em
1593, a Igreja sueca adotou a
Confissão de Augsburgo. Na
Finlândia, as igrejas faziam parte da Igreja sueca até o início do século XIX, quando foi formada uma igreja nacional independente, a Igreja Evangélica Luterana da Finlândia.
Na
Hungria, a disseminação do protestantismo foi auxiliada pela minoria étnica alemã, que podia traduzir os escritos de Lutero. Enquanto o
Luteranismo ganhou uma posição entre a população de língua alemã, o
Calvinismo se tornou amplamente popular entre a etnia húngara.
58 Provavelmente, os protestantes chegaram a ser maioria na Hungria até o final do século XVI, mas os esforços da
Contra-Reforma no século XVII levaram uma maioria do reino de volta ao catolicismo romano.
59
Fortemente perseguida, a Reforma praticamente não penetrou em
Portugal e
Espanha. Ainda assim, uma missão francesa enviada por
João Calvino se estabeleceu em 1557 numa das ilhas da
Baía de Guanabara, localizada no
Brasil, então colônia de Portugal. Ainda que tenha durado pouco tempo, deixou como herança a
Confissão de Fé da Guanabara.
60 Por volta de
1630, durante o
domínio holandês em
Pernambuco, a
Igreja Cristã Reformada (Igreja Protestante na Holanda) instalou-se no Brasil. Tinha ao conde
Maurício de Nassau como seu
membro mais ilustre. Esse período se encerrou com a
guerra de
Restauração portuguesa.
61 Na Espanha, as ideias reformadas influíram em dois monges católicos:
Casiodoro de Reina, que fez a primeira tradução da Bíblia para o idioma espanhol, e
Cipriano de Valera, que fez sua revisão,
62originando a conhecida como
Biblia Reina-Valera.
63
Uma vez que a Reforma Protestante desconsiderou e combateu diversas
doutrinas e
dogmas católicos, e provocou as maiores divisões no cristianismo,
64 65 a
Igreja Católica Romana convocou o
Concílio de Trento (1545-1563),
66 que resultou no início da
Contrarreforma ou Reforma Católica,
67 na qual os
Jesuítas tiveram um papel importante.
68 A
Inquisição e a censura exercida pela Igreja Romana foram igualmente determinantes para evitar que as ideias reformadoras encontrassem divulgação em
Portugal,
Espanha ou
Itália, países católicos.
69 As igrejas protestantes por sua vez, ao mesmo tempo em que propagavam a bíblia e suas idéias graças a invenção da máquina tipográfica de
Johannes Gutenberg,
10 também tornaram proibidos uma série de livros católicos e outros que contrariavam suas doutrinas.
70 Edward Macnall Burns observou que "do câncer maligno da intolerância", "não escaparam católicos nem protestantes".
71
O biógrafo de João Calvino, o francês Bernard Cottret, escreveu: "Com o
Concílio de Trento (1545-1563)… trata-se da racionalização e reforma da vida do clero. A Reforma Protestante é para ser entendida num sentido mais extenso: ela denomina a exortação ao regresso aos valores cristãos de cada "indivíduo"". Segundo Bernard Cottret, "A reforma cristã, em toda a sua diversidade, aparece centrada na teologia da salvação. A salvação, no Cristianismo, é forçosamente algo de individual, diz mais respeito ao indivíduo do que à comunidade",
72 diferente da pregação romana que defende a salvação na igreja.
73
Seguiram-se uma série de importantes acontecimentos e conflitos entre as duas religiões, como o
Massacre da noite de São Bartolomeu, ocorrido como parte das Guerras Francesas, organizada pela casa real francesa contra os calvinistas franceses (
huguenotes), em
24 de Agosto de
1572 e duraram vários meses, inicialmente em
Paris e depois em outras cidades francesas. Números precisos para as vítimas nunca foram compilados,
74 e até mesmo nos escritos dos historiadores modernos há uma escala considerável de diferença,
75 que têm variado de 2.000 vítimas, até a afirmação de 70.000, pelo contemporâneo e apologista huguenote duque de Sully, que escapou por pouco da morte.
76 77
Nos países protestantes por sua vez, foi feita a expulsão e o massacre de sacerdotes católicos,
78 bem como a matança em massa de aproximadamente 30.000 anabatistas, desde o seu surgimento em
1535, até os próximos dez anos.
7 Na Inglaterra por sua vez, católicos foram executados em massa, tribunais religiosos foram instaurados e muitos foram obrigados à assistir cultos protestantes,
79 forçando assim sua conversão ao protestantismo mediante o terror.
79
Um dos pontos de destaque da reforma é o fato de ela ter possibilitado um maior acesso à Bíblia, graças às traduções feitas por vários reformadores (entre eles o próprio Lutero) a partir do
latim para as línguas nacionais.
80 Tal liberdade fez com que fossem criados diversos grupos independentes, conhecidos como
denominações. Nas primeiras décadas após a Reforma Protestante, surgiram diversos grupos, destacando o
Luteranismo, que foi o grupo originador do movimento de Reforma da
Igreja Católica e as
Igrejas Reformadas ou
calvinistas (
Presbiterianismo e
Congregacionalismo). Nos séculos seguintes, surgiram outras denominações com destaque para os
Batistas e os
Metodistas.
A seguir, uma tabela ilustrando o surgimento das diferentes correntes ou ramos do Protestantismo através dos séculos.